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carvão e desenho

Os desenhos, a seguir, foram feitos ano passado, quando fazia aula com o querido e grande artista plástico mineiro, Angelo Marzano, em Niterói. O Angelo foi muito bacana p mim pq comecei a soltar a linha, o traço, a mão e principalmente a sacar o silêncio, os vazios, o que estava sugerido nos rascunhos, escritos, no jeito do desenho. O que aparecia no encontro entre papel, o material utilizado (no caso, o carvão) e o tempo. O carvão é interessante porque é muito sutil: é possível dar ritmo e variação ao traço, o que pode fazer o desenho ter força ou delicadeza e a infinidade de variações q há entre uma coisa e outra. O papel em branco aparece muitas vezes envolto numa certa aura: “o medo da folha em branco”. Pra mim o papel é sem dúvida místico, mas um místico profano, uma forma de se estar no mundo e se concentrar pq a vida não é fácil, não vale ficar dando bobeira, vale viver afinal. Portanto, a folha em branco é a idéia e a prática de que algo fundamental acontece ali. Neste encontro o tempo é o maior mistério. Para os netunianos é algo filho-da-puta quase, mas também apaixonante. Brincar c o tempo, esquecer do tempo, sacanear o tempo, sonhar, sonhar muito e com coisas q não estão no tempo quadrado, careta da gente, é isso. Crede mi mano.