Ray Bradbury 2

Continuo minha leitura de Zen e a arte da escrita, do autor norte-americano que dá nome ao post. No capítulo que eu terminei hoje, ele conta que o fato de adorar dinossauros acabou por levá-lo a escrever um conto que John Huston leu e gostou, convidando-o a adaptar Moby Dick para o cinema. Depois disso, a Disney chamou-o a pensar o Spaceship Earth no Epcot Center. Imaginou o início dos tempos, um “espaço selvagem”, com dinossauros. Minha namorada, que visitou o lugar quando era criança, diz que foi a parte realmente inesquecível do passeio.

Ray Bradbury é muito lindo contando sobre sua paixão por Buck Rogers. Que uns amigos um dia descobriram que ele colecionava as tirinhas do personagem e começaram a caçoar dele. Ele então resolveu rasgar todas. Na semana seguinte ficou mal e resolveu que aquelas pessoas que haviam zombado de sua paixão eram seus inimigos e voltou a colecioná-las. Para concluir: “Desde então, minha vida tem sido feliz. Porque era o início da minha escrita de ficção científica. Desde então, nunca mais dei ouvidos a qualquer um que criticasse o meu gosto por viagem espacial, shows populares ou gorilas. Quando isso acontecia, embrulhava meus dinossauros e deixava o ambiente”.

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O Zen de Ray Bradbury

Saiu uma edição brasileira do livro publicado na América, em 1990,  O Zen e a arte da escrita, do grande Ray Bradbury. São pequenos ensaios preciosos que mostram o quanto o autor de Fahrenheit é gentil: não teme em apontar porque e como sua prosa é tão visual, sensível, ao mesmo tempo, de uma simplicidade tamanha. Mas é uma simplicidade próxima ao insight, é algo que aparece como um raio, um inusitado ou uma visagem, como diz meu pai. 

O texto dá dicas para escrever, mostra como ele escreveu alguns de seus contos e romances. Como é que aconteceu o processo mas mais como forma de exemplicar a coisa. O que é legal é que conteúdo e forma vão casando que é um deleite. Então é o contrário de um metadiscurso, não sei o nome disso! Acabei de ler um capítulo chamado “Como manter e alimentar a musa”. É demais. Receita que a gente leia poesia todo dia para conseguir tal façanha: “Poesia é bom porque exercita músculos que não são utilizados sempre. Poesia expande os sentidos e os mantém em forma. Ela mantém você consciente de seu nariz, olho, ouvido, língua, mão. E, acima de tudo, a poesia é uma metáfora compacta ou um sorriso. Essas metáforas, como flores de papel japonesas, podem se expandir em formas gigantescas. As idéias estão em todo lugar nos livros de poesia, embora muito raramente os professores de conto as recomendem para estimular a escrita.” E por aí vai…

Amanhã vou postar um poema para bater a cabeça p o mestre dos 60’s e de sempre.

Santa Teresa: ilumine nosso morro do Desterro

triste muito triste

muda calada

indignada

puta

culpada

indignada

após a morte de cinco pessoas no bondinho de Santa Teresa

nós moradores sabíamos que um acidente grave podia acontecer

não paguemos impostos

não vamos votar

fim desses crápulas!

transporte é coisa pública

nova york

londres

paris

lisboa

buenos aires

transporte é coisa pública

lopes e cabral

beijinho beijinho

pau pau

Tirando a poeira com William James

Saudade danada de escrever no blog e ver os posts das outras pessoas. Visito sempre o blog de Luís Capucho – o blog azul; o da Martha Pires – o caderno aquariano e a Mari Felts – o blog Madame Beleza. Desses blogs vou para outros que estão indicados nestes e a coisa vai assim.

As vezes cansa, a gente sente que está se repetindo e os outros também.

O lance acho é ter uma relação mais tranquila com isso tudo.

Ontem li um capítulo do livro do William James, o psicólogo, que foi muito legal. Chama-se “Lo que da significacion a la vida” (está em espanhol mesmo). Este é meu tema atual de preocupação, quer dizer, não chega a ser preocupação, mas é um rumo talvez. O “James” é muito interessante, um trechinho: “O que seria de cada um de nós se ninguém quisesse conhecer-nos como realmente somos, e não estivesse disposto a a compartir de nossa intuição com um grata permuta? É para todos nós um dever realizar-se mutuamente desta maneira intensa, patética e importante.”

Então pessoal, o que dá significação a vida?… James não responde, esse que é o problema…

Reino Vegetal

Vício pelo “Reino Vegetal”. Atualmente o melhor restaurante natural da cidade. Ontem rolou o “buffet mexicano”, a comida está sempre fresca, o tempero perfeito. Você é capaz de esquecer a vida carnívora e enlouquecer com o colorido dos legumes, molhos, bolos (ontem havia um empadão de milho delicioso). No meu caso, há uma pimenta batida pra alegrar. Creizi vida. Bom e preço ok. O Reino Vegetal fica na rua Luís de Camões, a mesma do Centro Hélio Oiticica, um quarteirão adiante, direção Saara, atrás da Pça Tiradentes.
Após o banquete, saindo em direção Centro, escuto de uma máquina de juke box, no bar das putas, vem o som dos Racionais, bem ao lado do Hélio Oiticica, que está sempre fechado (o prefeito só pensa no mu$eu do Amanhã, na zona portuária). Na mesma Luís de Camões três sebos prometem.
aché

inferno astral

Dia chuvoso, inventaram um obra no prédio bem na minha varanda, que é única para fora e no térreo. Ontem quebraram as pastilhas de parte da fachada, hoje foram para o corredor e o jirau permanece no mesmo lugar, ou seja, quase em cima da minha cabeça. Aos menos os dois moçoilos são ébanos belos, Salve! A síndica, o filho e um outro vizinho vieram c essa “novidade”. São pessoas de pouca vida interior ou exterior, carentes demandantes. Como diz meu amigo Rogério: vai lavar uma louça, fazer caridade, cuidar de uma planta, bater uma punheta! Cruzes! Haja budismo!